Gestão de Capital de Giro, com o que devo me preocupar?

Gestão de Capital de Giro, com o que devo me preocupar?

Aprenda a mensurar a necessidade de capital de giro e conheça mais sobre a importância da sua gestão.

A gestão do capital de giro é baseada em alguns princípios básicos da gestão financeira e contabilidade, sendo cada vez mais precisa com o maior aprofundamento do conhecimento teórico e práticos dos conceitos. A princípio, é importante saber mensurar o caixa mínimo necessário para a manutenção da atividade principal da empresa.

Na situação em que o prazo médio de recebimento dos clientes é menor que o prazo médio de pagamento dos fornecedores, a empresa apresenta uma situação de caixa muito favorável, não dependendo de capital de terceiros. Em uma situação invertida, que o prazo de recebimento é maior que o prazo de pagamento, a empresa apresenta um descasamento de fluxo de caixa e depende de capital externo (bancos, sócios ou até as próprias reservas financeiras).

A ausência do entendimento dos prazos financeiros impacta na má gestão dos recursos de um negócio, fazendo com que o empreendedor acabe utilizando do caixa necessário para manter a operação girando e gerando resultado.

A partir da mensuração da necessidade de capital de giro, o empresário terá como tomar decisões muito mais rápidas e efetivas de como poderá utilizar dos recursos financeiros da empresa para aumentar os seus lucros: reduzindo gastos e aumentando receitas.

Antes de apresentar o cálculo da necessidade de capital de giro, é importante apresentar e reforçar alguns conceitos de prazos do negócio, são eles: Prazo Médio de Recebimento (PMR); Prazo Médio de Estocagem (PME); Prazo Médio de Pagamento (PMP); e Prazo Médio de Recolhimento de Obrigações Fiscais (PMROF).

Prazo Médio de Recebimento (PMR)

O prazo médio de recebimento é o tempo, em dias, que a empresa demora para receber o valor referente a venda realizada. Ou seja, a quantidade de dias entre a data da venda e a data do recebimento.

Prazo Médio de Estocagem (PME)

O prazo médio de estocagem é o tempo, em dias, de manutenção da mercadoria no estoque. Ou seja, a quantidade dias entre a data da compra e a data da venda.

Prazo Médio de Pagamento (PMP)

O prazo médio de pagamento é o tempo, em dias, que a empresa possui para pagar aos fornecedores. Ou seja, a quantidade dias entre a data da compra e a data de pagamento.

Prazo Médio de Recolhimento de Obrigações Fiscais (PMROF)

O prazo médio de recolhimento de obrigações fiscais é o tempo, em dias, que a empresa tem para realizar o pagamento dos tributos referentes a venda da mercadoria. Ou seja, é a quantidade de dias entre a data de venda da mercadoria e a data do pagamento dos tributos.

Na Figura 1, é possível visualizar os conceitos apresentados anteriormente em um gráfico que apresenta os marcos da compra e da venda do produto, além de todas as movimentações financeiras: pagamento de fornecedores, pagamento de obrigações fiscais e recebimento dos clientes.

 

 

Agora que os conceitos de prazo foram apresentados, podemos chegar ao cálculo da Necessidade de Capital de Giro. A quantidade de recurso necessária para manter a operação será a diferença entre as contas projetadas do Ativo Circulante (disponibilidade de recursos, com exceção do Caixa) e do Passivo Circulante (obrigações imediatas).

Uma forma mais prática de realizar esse cálculo é usar o Balanço Patrimonial da empresa, em que esses valores estão presentes e podem ser facilmente acessados. Entretanto, muitas empresas de pequeno porte não possuem um Balanço Patrimonial que representa fidedignamente a situação do negócio, a partir disso, iremos apresentar um método mais preciso e que todas as empresas podem utilizar.

As contas do Ativo Circulante (AC) que devem ser consideradas são as contas: Clientes (a receber) e Estoque, já as contas do Passivo Circulante (PC) são: Fornecedores (a pagar) e Impostos (a pagar). Dessa forma, a Necessidade de Capital de Giro será calculada a parte da seguinte fórmula:

NCG=AC-PC=(Clientes+Estoque)-(Fornecedores+Impostos) (1)

Para chegar no cálculo correto das contas Clientes, Estoque, Fornecedores e Impostos, deve-se conhecer os prazos da operação (PMR, PME, PMP e PMROF).

Além disso é importante ter a informação do volume (em valor monetário) das vendas diárias, dos custos diários com estoque (CMV – Custo da Mercadoria Vendida, para o varejo; CPV – Custo do Produto Vendido, para a indústria; CSP – Custo do Serviço Prestado, para serviços), os custos diários com compras e os gastos diários com obrigações fiscais. Normalmente, os custos do estoque, custos de compra e gastos com obrigações fiscais são percentuais diretos das vendas diretas, o que facilita o cálculo!

A partir da obtenção das informações anteriores, podemos chegar ao cálculo das contas necessárias para mensurar a Necessidade de Capital de Giro:

Clientes = Vendas Diárias x PMR (2)
Estoques = Custos Diários de Estoque x PME (3)
Fornecedores = Compras Diárias x PMP (4)
Impostos = Impostos Diários x PMROF (5)

Ao final, substituindo as equações (2), (3), (4) e (5) na equação (1), temos a fórmula final para determinar a Necessidade de Capital de Giro:

NCG=[(Vendas Diárias x PMR)+(Custos Diários de Estoque x PME)]-[(Compras Diárias x PMP)+(Impostos Diários x PMROF)] (6)

A partir da realização do cálculo da necessidade de capital de giro, o gestor agora deve se preparar para manter o caixa mínimo e tomar decisões prudentes com os recursos financeiros da empresa.
Muitos gestores não avaliam corretamente essa informação e acabam precisando a recorrer por fontes de recursos emergenciais e caras, como a operação de crédito recorrente de “adiantamento de recebíveis”, que reduz drasticamente a margem de lucro da operação.

Além disso, é muito importante que o empresário não realize investimento com o capital de giro do negócio. Os investimentos devem ser planejados de forma cautelosa e avaliar a fonte dos recursos necessários para o mesmo, muitas empresas acabam entrando em um ciclo de baixa na capacidade produtiva e, consequentemente, baixa nas vendas, por que utilizou do capital de giro de forma imprudente e deixou de ter recursos para comprar os insumos da produção.

Agora que você aprendeu mais sobre a gestão de capital de giro e os riscos da má utilização dos recursos financeiros da empresa, você pode implementar estes aprendizados no seu negócio. Se precisar de ajuda neste processo, a Ásense possui consultores especializados em melhorar a gestão financeira do seu negócio. Você pode marcar uma conversa com um de nossos consultores através do formulário de contato.

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